A Contribuição da Semiótica para a Leitura das Obras Cinematográficas

Marcos Roberto Castro

Resumo


O Século XX viu nascer e o XXI testemunha o crescimento de duas ciências da linguagem. Uma delas é a Linguística, ciência da linguagem verbal. A outra é a Semiótica, ciência de toda e qualquer linguagem, a qual é utilizada pelo projeto de extensão: A Questão Social em Tela. Para entendê-la, remetemos aos animais que habitam esse planeta, os quais dividem-se em racionais e irracionais. Os animais irracionais têm um sistema de comunicação próprio, herdado geneticamente, mudando somente na velocidade em que avança a evolução biológica, independente de aprendizado. Já o ser humano – animal racional - desenvolveu milhares de sistemas de comunicação, verbais e não-verbais. Existem aproximadamente, 3.500 línguas naturais distintas sendo transmitida no convívio social. O uso da língua que falamos, e da qual fazemos uso para escrever não é a única linguagem capaz de produzir, criar, reproduzir, transformar e/ou consumir, ou seja, ver; ouvir e ler, na comunicação de uns com os outros. Não chegamos a tomar consciência de que nosso estar-no-mundo, como indivíduos sociais que somos, é mediado por uma rede intrincada e plural de linguagem, isto é, que nos comunicamos, através da leitura e/ou produção de formas, volumes, massas, interações de forças e movimentos; que somos leitores e/ou produtores de dimensões e direções de linhas, traços, cores, etc. enfim, nos comunicamos e nos orientamos através de imagens, gráficos, sinais, setas, números, luzes, através de objetos, sons musicais, gestos, expressões, cheiros e tato, por meio do olhar, do sentir e do apalpar. A semiótica contribui para entendermos o cinema como visual e auditivo. Ao observar uma cena somos capazes de realizar uma leitura de valores, sentimentos, imaginação, etc. que o filme nos proporciona e, isso é possível graças a essa amplitude de linguagens que se tem na comunicação entre os homens. Diante do exposto, pode-se afirmar que somos um animal complexo e portador de múltiplas e plurais linguagens, o que nos constituem como seres simbólicos. A ilusória, exclusividade da língua, como forma de linguagem e meio de comunicação dá-se devido ao condicionamento histórico na crença de que a única forma de conhecimento, de saber e de interpretação do mundo é aquela vinculada à língua falada. O saber analítico, que essa linguagem permite, conduziu à legitimação consensual e institucional de que esse saber é de primeira ordem, em detrimento e, relegando à segunda ordem todos os outros saberes, quais: os sensíveis e os não-verbais. De dois séculos para cá – pós revolução industrial – a invenção de máquinas capazes de produzir, armazenar e difundir linguagens como:  a fotografia, o cinema, os meios de impressão gráfica, o rádio, a TV, etc. – povoam nosso cotidiano com mensagens e informações que nos espreitam e nos esperam. Para termos uma ideia das transmutações que se operam no mundo da linguagem, basta lembrar que, ao simples apertar de botões, imagens, sons, palavras – a novela das oito, um jogo de futebol, um debate político – invadem nossas casas, chegando mais ou menos do mesmo modo que a água, o gás ou a luz.

Palavras-chave: Semiótica; Linguagem; Cinema.


Texto completo:

PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.