ALEGORIAS E DESLOCAMENTOS EM O SAPATO DE CETIM, DE MANOEL DE OLIVEIRA

Wiliam Pianco

Resumo


Portentoso título de Manoel de Oliveira, O sapato de cetim (1985), filme que nunca conheceu estreia comercial no país do cineasta é, sem dúvida, um dos trabalhos mais emblemáticos dentro da extensa filmografia oliveiriana. Não obstante o fato de ser pouco conhecido dentre os compatriotas de Oliveira, o filme, falado em francês e com quase sete horas de duração, faz uso de narrativas de viagens e alegorias históricas para abordar o período em que Portugal encontrava-se sob o jugo da coroa espanhola nos séculos XVI e XVII.

Este artigo tem como objetivo promover três movimentos: I) colaborar com a divulgação e a reflexão sobre um título oliveiriano ainda hoje pouco abordado por investigadores de língua portuguesa; II) debater a recorrência do uso da viagem nesse título a partir de sua inclusão no conjunto filmes de viagem de Manoel de Oliveira; III) analisar o proveito que Manoel de Oliveira faz da alegoria histórica ao promover um pensamento associativo entre eventos do passado e do contemporâneo – Portugal em relação à Europa dos finais do século XVI e princípio do XVII em comparação com o surgimento da Comunidade Econômica Europeia no último quarto do século XX.

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